Pesquisadores descreveram uma nova espécie vegetal exclusiva das montanhas do médio rio Doce, em Minas Gerais: o Anthurium occultum. O achado, publicado na revista científica internacional Phytotaxa, é assinado pelos botânicos Rodrigo Theófilo Valadares (Universidade Federal do Espírito Santo) e Paulo Gonella (Instituto Nacional da Mata Atlântica).
O termo latino occultum (“escondido”) faz alusão ao comportamento da planta, que se abriga em fendas de pedras com a inflorescência oculta pela folhagem. Mesmo após mais de dez anos de pesquisas intensivas e mais de 40 novas espécies catalogadas no maciço, o antúrio permaneceu sem registro formal até agora.
Apesar do ineditismo, a planta já chega à literatura científica com pedido para ser classificada como “Criticamente em Perigo” de extinção, segundo critérios da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). A espécie apresenta área de ocorrência mínima e sofre pressões diretas de incêndios recorrentes, pisoteio por gado, avanço de espécies invasoras e turismo predatório.
A região deu um passo institucional com a criação recente de dois Parques Naturais Municipais em Conselheiro Pena (abrangendo partes das serras do Padre Ângelo e do Pinhão). Contudo, os autores alertam que a medida só terá efeito prático com fiscalização ativa, planos de manejo implementados e a criação de um mosaico ecológico contínuo que proteja nascentes e remanescentes ainda desprotegidos.
