A recente repercussão em torno do procedimento estético realizado pela atriz Rita Guedes, cuja blefaroplastia não alcançou o resultado esperado, trouxe à tona debates importantes sobre os limites e os riscos associados às cirurgias plásticas nas pálpebras. Muito procurada nos consultórios para rejuvenescimento facial e remoção do excesso de pele ou bolsas de gordura, a cirurgia periocular exige uma visão médica altamente especializada, visto que a região desempenha um papel anatômico e funcional indispensável para a proteção dos olhos.
Para a oftalmologista Liliana Nóbrega, o equívoco comum de enxergar as pálpebras meramente como tecido excedente passível de ressecção pode custar caro à saúde visual dos pacientes. Conforme apontou a especialista ao discutir os perigos de intervenções mal sucedidas, “a pálpebra não é apenas pele a ser cortada, mas uma estrutura nobre que protege o globo ocular, e qualquer descuido em sua dinâmica pode gerar danos severos e irreversíveis à visão”, alerta.
A médica explicou que intervenções cirúrgicas conduzidas sem o devido planejamento ou sem uma investigação prévia da superfície ocular frequentemente resultam em complicações funcionais dramáticas, a exemplo do olho seco grave e da temida retração palpebral, condição clínica em que as pálpebras perdem a capacidade de fechar por completo, deixando a córnea cronicamente exposta.
Diante desse cenário de riscos, a oftalmologista destacou orientações básicas fundamentais que todo paciente deve seguir antes de se submeter ao procedimento, enfatizando que a segurança deve sempre anteceder o apelo estético. Segundo a médica, o primeiro passo indispensável é realizar uma avaliação oftalmológica completa e detalhada para checar a qualidade lacrimal e descartar predisposições a patologias oculares prévias.
“Nenhum procedimento nas pálpebras deve ser feito sem antes analisar como a lágrima e a superfície dos olhos do paciente estão funcionando, pois um olho seco pré-existente pode se tornar devastador no pós-operatório”, orientou a especialista.
Além disso, a profissional reforçou a necessidade de escolher criteriosamente um cirurgião com pleno domínio da anatomia periocular e de manter expectativas alinhadas quanto aos prazos de recuperação, prestando atenção imediata a sinais de alerta como dor desproporcional, vermelhidão prolongada e dificuldades para dormir com os olhos fechados.
