segunda-feira, 29 de junho de 2026 / 15:05
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Técnica genética identifica presença de peixe ameaçado de extinção

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Cientistas detectaram a presença do bagrinho-de-kaetés (Trichogenes claviger), espécie de peixe ameaçada de extinção, na bacia do rio Itapemirim, localizada no sul do Espírito Santo. A descoberta foi realizada por meio da análise de DNA ambiental (eDNA) extraído de amostras de água de riachos locais, o que dispensou a necessidade de captura física dos animais.

O estudo foi conduzido por pesquisadores do Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA), da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG) e do Instituto Nossos Riachos, com publicação na última sexta-feira (19) no periódico científico Neotropical Ichthyology.

A pesquisa confirmou a existência da espécie em três das dez localidades avaliadas, o que expande o mapeamento geográfico conhecido do animal. O monitoramento também gerou um levantamento da biodiversidade regional, identificando vestígios genéticos de 25 espécies de vertebrados, sendo 15 tipos de peixes, além de aves e mamíferos.

De acordo com Juliana Paulo da Silva, pesquisadora do INMA e autora principal do artigo, a metodologia baseada em eDNA apresentou capacidade de identificação superior aos sistemas tradicionais de coleta de fauna, registrando mais que o dobro de espécies por ponto analisado. A pesquisadora ressalta que o procedimento reduz significativamente a interferência humana e o impacto direto sobre as populações animais, característica considerada vantajosa para o estudo de fauna sob risco de extinção.

O levantamento também apontou a presença de espécies exóticas invasoras, como a tilápia, que representam potenciais competidoras por recursos e espaço com os animais nativos. Adicionalmente, as análises de água detectaram uma espécie de ave sob ameaça de extinção no território capixaba.

Heron Oliveira Hilário, pesquisador vinculado à PUC-MG, destaca que os resultados viabilizam um monitoramento mais exato do bagrinho-de-kaetés — que é endêmico da bacia do rio Itapemirim e classificado como criticamente ameaçado —, além de servirem como subsídio para o planejamento de ações de preservação ecológica direcionadas aos riachos de cabeceira da Mata Atlântica no estado.

Segundo os autores do estudo, os dados obtidos têm aplicação direta em políticas de conservação ambiental, auxiliando no direcionamento de medidas protetivas voltadas aos ecossistemas aquáticos e à contenção da perda de biodiversidade na região.

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