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Opinião: O presidente dos pontos eletrônicos

O desenho em grafite cinza-escuro é de um governo militarizado, de coabitação com as togas punitivistas e assumidamente ideológico, o qual pode nos jogar às trevas do protofascismo.

Ideologicamente burguês, em seu estado primitivo, alinhado aos Estados Unidos, e implementador de um capitalismo selvagem (ou de desastre, como bem narrado no livro “A Doutrina do Choque”, de Naomi Klein, enfim, um Estado policial-militar submisso ao imperialismo norte-americano e ao mercado financeiro.

Com o desfolhar da Carta Magna, no Brasil há três poderes reais: o das armas, o do capital financeiro e o da mídia oligopolizada.

No poder das armas pode não haver consenso, mas numa força hierarquizada, algumas vezes, basta uma ou duas centenas, como durante a ditadura militar, para mandar fazer e outros para não desmandar e obedecer, e o consenso prático ocorrer. No Exército a aparência é a de que estão construindo esse tipo de hegemonia.

No poder do capital financeiro, o consenso é mais comum e evidente, segue a regra simples: a da maximização do lucro, independente das consequências.

Na mídia, como há também intricados interesses financeiros, além dos objetivos político-ideológicos, o consenso existe, mas com frestas de divergências.

É nessa moldura do quadro político, no qual se destaca um presidente tosco, mentalmente preguiçoso, culturalmente apedeuta, com uma história obscura e carbonizada à luz de valores humanos.

Sem ter nem mesmo conhecimentos rudimentares de economia, direito, educação, diplomacia e relações internacionais, o presidente eleito, ex-capitão do Exército, cuja folha corrida é das mais desabonadoras, inclusive com relação a sua personalidade e saúde mental, cercado de ministros fortes e sem bases partidárias, mas de cultura e patentes mais elevadas do que o mitômano Bolsonaro.

Como será a gestão desse presidente, que diz e se desdiz com a mesma cara dura e sem qualquer pudor? Sua palavra não guarda compromisso com a verdade e nem com a honorabilidade, requisitos fundamentais para o exercício de uma presidência da república.

Ao longo de sua história a mentira sempre o caracterizou, contudo, vem aumentando desde as eleições, e só não foi maior porque não fora a nenhum debate.

Ele é portador de uma patologia psicológica denominada mitomania.

Sem ter essa noção, os que o chamam de mito, quase acertaram, ou talvez abreviaram a palavra mitômano. O hábito degenerado da mentira ficou acrescido da necessidade de mentir cada vez mais pela razão de que vai governar o país sem entender de administração pública e governamental, tendo que ouvir os poderosos ministros que está nomeando.

O Brasil, para suprema humilhação, terá o presidente dos pontos eletrônicos, não falará por si, com independência e sabedoria, mas repetirá os que os fortes ministros mandarem, e quando os pontos eletrônicos entrarem com dicotomia ou ele ousar falar por si, poderá se desdizer logo em seguida.

Bolsonaro, o presidente dos pontos eletrônicos!

E quando houver reuniões privadas com chefes de Estado, sem poder recorrer aos pontos eletrônicos? Não ria, pois, será bastante triste para a sociedade e trágico para o país.

O mitômano é descartável! Se atrapalhar aos três poderes reais, teremos mais crise e mais sociedade e governo militarizados? Parece ser a dedução lógica.

A oposição e a sociedade demonstraram não ter, ainda, a força de resistência que faça a estrutura do golpismo tremer. Contudo, as forças reacionárias não têm a coesão necessária para a travessia de quatro anos.

No dia 13 de dezembro estará completando 50 nos do AI-5 (Ato Institucional número 5), um monstro jurídico que autorizou a tortura e o extermínio de brasileiros pela ditadura militar, que saibamos lembrar para repelir.

 

Francisco Celso CalmonFrancisco Celso Calmon,

advogado e administrador, é coordenador do Fórum Memória, Verdade e Justiça e da Frente Brasil Popular

 

 

 

 

O conteúdo do texto é exclusivo e de responsabilidade do autor.



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