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Artigo: Novos tempos, velhos hábitos: políticos e as redes sociais

A propaganda política faz parte do processo eleitoral. Profissionais de comunicação se empenham para passar através de imagens, sons e discursos o que de melhor um candidato ou partido pode fazer pela sociedade. As últimas duas semanas na propaganda eleitoral televisiva são decisivas, os candidatos intensificam suas campanhas e os brasileiros despertam algum interesse, principalmente se não decidiram o seu voto ainda, como afirma Eloá Muniz, mestre em ciências da Comunicação:

Ao iniciar a propaganda gratuita na televisão e no rádio, o eleitor-padrão começa a ouvir as propostas dos candidatos. Os eleitores entram gradualmente na fase de indefinição, seguidos da indecisão, mais tarde simpatia ou antipatia a algumas candidaturas, e finalmente tomam sua decisão, baseados na adesão ou rejeição a algum nome. […] Essa decisão geralmente é tomada nas últimas semanas e representa uma reordenação de forças, na qual o candidato competitivo, com menor rejeição, pode levar grande vantagem. Finalmente, a adesão (MUNIZ, 2013, p.10).

A televisão é o principal meio de comunicação de massa, entretanto a internet já faz parte da vida das pessoas. Nesse ambiente, o comportamento assumido é compartilhado ou repetido pelas suas conexões através de curtidas, comentários e compartilhamentos. “O consumidor atual com a internet deixou de ser um simples receptor da comunicação para se tornar retransmissor e formador de conteúdo” (TELLES, 2011, p.176). Assim fica mais difícil para um candidato fazer um discurso que não condiz com a realidade, pois a chance de fatos e comportamentos inverídicos serem descobertos e compartilhados em tempo real é muito grande.

Mas o fato é que quando o processo eleitoral acaba, os eleitos assumem seus postos e os cidadãos esperam – ou não – que cumpram suas promessas. Em 2018 já não se vê mais de 1 milhão de brasileiros protestando nas ruas como aconteceu em 2013 com o movimento  ‘Vem para Rua’, mas no meio virtual há grande exposição de opinião, fundamentadas ou não, e nas redes sociais se tem acesso ao que qualquer um mostra da sua vida, seja criada ou real, seja empresa, cantor, artista ou político.

“Segundo sondagem da empresa de pesquisas Ideia Big Data, 79% dos eleitores do país não se lembram nos candidatos em que votaram […]” (Exame.com, 2018), e apesar dos dados ainda confirmarem que os brasileiros não se recordam em quem votaram, o discurso de mudança e do novo ainda continua latente. E, quando se diz ‘novo’ na política não quer dizer novo de idade, mas de pensamento e de ideologia. De acordo com o Instituto Paraná Pesquisas, 59,4% dos brasileiros querem nas próximas eleições, um candidato novo, mesmo que não seja conhecido (setembro de 2017).

Uma coisa é clara, candidato que só se manifesta em período pré-eleitoral está perdendo a vez. Candidato que utiliza as redes sociais sem periodicidade e quase em terceira pessoa, aparenta não ter ideia do que faz e candidato que utiliza as redes para criar um personagem que não existe, vai ser desmascarado.

Para ser lembrado é preciso ser visto. Não atrás de um terno, de uma mesa ou de uma gravação perfeita, mas aquele que na prática, aprender a ser natural e mostrar o que a gestão está realizando nos  diversos setores: saúde; educação; segurança; limpeza pública, ou ainda no setor turístico. Na gestão pública nada será bom o bastante, pois é urgente o atendimento às demandas da sociedade, principalmente os temas prioritários: saúde, segurança e educação.

O candidato que conseguir alinhar sua vida pública com seu discurso na propaganda eleitoral gratuita e nas redes sociais, vai se expressar, no debate eleitoral, com propriedade e sem medo sobre os acertos e os erros de seu trabalho porque a cada dia tentava ser visto e lembrado pelas suas realizações.

Isso não quer dizer que não haja interesses particulares, pelo contrário. Onde há política, há poder e há interesse particular, mas o ‘fazer política’ está em transformação. Saiu para pedir voto, tem que sair para ouvir reclamação e trabalhar. Nas redes sociais tem que mostrar conteúdo relevante, tem que ver e responder aos comentários.

Televisão, internet, pesquisas, decepção, esperança. Será que em 2018, nas próximas eleições, as pessoas estarão despertas para ‘o novo’ e para o ‘fazer diferente’?

eu rostoStéphane Figueiredo Ferreira

Publicitária, pós-graduada em Marketing

 

 

 

REFERÊNCIAS

ABRANTES, Thalita. Exame. 79% dos brasileiros não lembram em quem votaram para o Congresso. 2018. Disponível em:<https://exame.abril.com.br/brasil/79-dos-brasileiros-nao-lembram-em-quem-votaram-para-o-congresso/>. Acesso em 19 de maio de 2018.

MUNIZ, Eloá. Marketing Político: conceitos e definições. Disponível em:<https://www.eloamuniz.com.br/arquivos/1188170795.pdf>. Acesso em 19 de maio de 2018.

Paraná Pesquisas. Pesquisa Paraná Pesquisas Nacional em parceria com a Revista Isto É. 2017. Disponível em:< http://www.paranapesquisas.com.br/wp-content/uploads/2017/09/BR_M%C3%ADdia.pdf>. Acesso em: 19 de maio de 2018.

TELLES, André. A Revolução das Mídias Sociais. Curitiba; Editora: M. Books, 2011;

O conteúdo do texto é exclusivo e de responsabilidade do autor.

 



Sobre Redação

2 Comentarios

  1. Eugenia Maria Caldeira

    Excelente texto. Conteúdo escrito de forma inteligente, didática e leve. Parabéns!

  2. Excelente artigo! Daqueles que nos fazem refletir melhor e até me fez pensar “como não tinha percebido… Sim, a autora do texto tem razão!”.

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