terça-feira, 15 de setembro de 2026 / 12:17
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Setembro Amarelo: psiquiatra alerta para sinais sutis de sofrimento emocional

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Com o registro de uma média diária de 45 mortes por suicídio no Brasil, a campanha do Setembro Amarelo ganha contornos urgentes ao desmistificar tabus e orientar a sociedade sobre a identificação precoce da dor psíquica. O sofrimento extremo raramente surge de maneira abrupta; na maior parte dos casos, ele se constrói gradualmente por meio de alterações comportamentais, emocionais e funcionais que demandam o olhar atento de pessoas próximas.

De acordo com o psiquiatra da Rede Meridional, Dr. José Luis Leal de Oliveira, a identificação dos alertas exige vigilância frente a mudanças de humor persistentes, isolamento social, desregulação severa de sono ou apetite, abuso repentino de substâncias e condutas de risco. O especialista destaca que a desesperança manifestada em discursos de desvalia — como sentir-se um peso para os outros — e comportamentos práticos de encerramento, a exemplo da doação repentina de pertences de valor afetivo ou da organização atípica de documentos, acendem o alerta máximo.

O médico ressalta que, embora nenhum indicativo isolado defina um quadro fechado, a combinação desses elementos, em especial quando vinculada a ideias de finitude, impõe intervenção imediata. Ele explica que a tristeza ou o desânimo que ultrapassam duas semanas sem remissão espontânea, somados a sintomas físicos inexplicáveis e prejuízos no trabalho ou no autocuidado, marcam o limite em que o luto ou a frustração humana habitual passam a exigir avaliação médica e psicológica especializada.

A conduta de familiares e amigos, contudo, precisa ser guiada pela escuta ativa e pela validação do que o outro sente, afastando qualquer tentativa de confronto, cobrança moral ou minimização do problema.

“O princípio fundamental no manejo do sofrimento alheio é não julgar e não minimizar. A pessoa em crise necessita se sentir verdadeiramente acolhida e escutada, e não confrontada ou corrigida em suas emoções”, orienta Dr. José Luis Leal de Oliveira.

O psiquiatra adverte que expressões desqualificadoras — como afirmar que a situação decorre de “falta de fé” ou “frescura” — aprofundam a culpa e afastam o indivíduo. Em contrapartida, abordar a ideação suicida de maneira clara, direta e afetuosa não induz ao ato autodestrutivo; pelo contrário, abre espaço seguro para o alívio e a busca de ajuda.

Em situações de crise aguda, o médico recomenda nunca deixar a pessoa desassistida e afastar o acesso a meios letais no ambiente doméstico, como medicamentos controlados e materiais perfurantes. Oliveira também pontua que compromissos de confidencialidade absoluta não devem ser assumidos perante riscos iminentes, já que a proteção à integridade física da pessoa se sobrepõe a qualquer sigilo doméstico.

Condições como depressão, transtornos de ansiedade severos e bipolaridade contam com respostas terapêuticas sólidas por meio de abordagens farmacológicas e psicoterapia. A rede de suporte pública e comunitária disponibiliza acolhimento gratuito pelo Centro de Valorização da Vida (CVV, pelo telefone 188 ou chat no site cvv.org.br), Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Em situações de risco imediato, os canais de urgência, como o SAMU (192) e unidades de pronto atendimento, devem ser acionados prontamente.

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