Cientistas da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e da Universidade de São Paulo (USP) estão trabalhando em parceria para identificar e comprovar cientificamente os efeitos da Areia Monazítica encontrada em Guarapari. A professora Jacyra Soares, doutora em Oceanografia, do Departamento de Ciências Atmosféricas da USP está acompanhando a movimentação da areia da praia de Meaípe com o objetivo de entender como o ambiente se comporta. “Instalamos uma torre para monitorar a movimentação desse ambiente e entendermos como a interferência humana pode estar degradando o local, disse a professora Jacyra.
O estudo em Meaípe ainda não é conclusivo, mas o trabalho desenvolvido por uma equipe multidisciplinar pode comprovar os benefícios provocados na saúde das pessoas em contato com o ambiente da areia preta. “Estamos reunindo dados para que em breve possamos apresentar um relatório consistente”, disse o professor Marcos Thadeu D’Azeredo Orlando, doutor em Física Nuclear e professor da UFES.
Nossa equipe convidou os professores para visitarem a praia da Areia Preta e entender por que essa praia, que fica no centro de Guarapari e é famosa entre turistas e moradores por causa dos benefícios à saúde das pessoas, não faz parte dessa fase da pesquisa.
Por que escolheram monitorar a praia de Meaípe e não a Praia da Areia Preta?
Professor Marcos: o objetivo era monitorar as duas praias, mas não conseguimos apoio para que o estudo fosse realizado em ambas. Em Meaípe a comunidade e os empresários se interessaram em apoiar o estudo. Na praia da Areia Preta não houve o interesse.
Qual o apoio que vocês receberam em Meaípe?
Professor Marcos: A comunidade ofereceu ajuda e precisávamos de um lugar seguro para instalar a torre. Em Meaípe a ajuda foi espontânea.
E na praia da Areia Preta?
Professor Marcos: Procurei a secretaria de Turismo do município e a administração do Clube Siribeira. O clube nos ofereceu o espaço da pedra, perto da praia, porém nada mais. Teríamos que arrumar segurança, energia e conexão com a internet. Com relação à secretaria de Turismo, o secretário nos ofereceu ajuda, mas não retornou o contato. Infelizmente não podemos instalar equipamentos sem contrapartida como energia, segurança e internet.
O que vocês precisam é apenas de um lugar seguro, energia elétrica e internet para instalar a torre?
Professor Marcos: Sim. Foi o que pedimos.
Existe diferença entre a areia preta encontrada na praia de Meaípe e na praia da Areia Preta?
Professor Marcos: Os ambientes se comportam de maneira diferente e, por isso, queríamos monitorar os dois ambientes.
Existe algo que já pode ser afirmado sobre a praia da Areia Preta?
Professor Marcos: O ambiente da areia preta em Guarapari é único no mundo e precisa ser preservado e cuidado. É uma pena ver essas duas praias abandonadas pelo poder público. Quando esse estudo multidisciplinar estiver concluído é possível que milhares de turistas do mundo todo venham para Guarapari. Mas, ainda não podemos afirmar nada.
A convite dos professores, nossa equipe visitou o laboratório na Ufes onde os materiais coletados estão sendo analisados, e constatou que muitos equipamentos ainda não foram instalados no município. “Esse equipamento deveria estar monitorando a praia da Areia Preta, mas como não conseguimos um local segurará para instalar a torre, estamos monitorando apenas a Praia de Meaípe”, disse o professor de física nuclear Thadeu D’Azeredo Orlando.