O setor de mobilidade elétrica de baixo custo ganhará um novo polo no Espírito Santo. Com previsão de estreia para fevereiro de 2027, a montadora E-Motors vai erguer sua primeira fábrica no município de Jaguaré, no Norte do estado. O aporte financeiro inicial será de R$ 112 milhões, focado na montagem de automóveis importados desmontados da China (sistema CKD). O veículo de entrada será o Emova Pop, um modelo compacto de dois assentos com valor previsto na faixa de R$ 65 mil a R$ 70 mil.
A estrutura inicial funcionará em um galpão de 2 mil m², com capacidade produtiva estimada entre 20 e 30 veículos por dia, além de um pátio logístico de cerca de 10 mil m² reservado para estocagem e movimentação dos carros.
O projeto tem o suporte da agência de desenvolvimento NOVA ES, que atua fornecendo consultoria regulatória e institucional sobre o mercado capixaba, além de intermediar contatos com parceiros estratégicos para viabilizar o investimento no estado.
Portfólio de veículos
O modelo de entrada na linha de montagem será o Emova Pop, projetado para trajetos urbanos cotidianos, com autonomia de 150 km por carga. O objetivo da companhia é democratizar o acesso a automóveis 100% elétricos no país.
Outras duas opções chegarão na sequência:
- Emova Easy: comporta quatro passageiros, tem autonomia média de 200 km e custo projetado entre R$ 90 mil e R$ 100 mil.
- Emova Urban: comporta cinco passageiros, alcança cerca de 330 km de autonomia e tem faixa de preço prevista entre R$ 100 mil e R$ 120 mil.
As tabelas de preço finais dependerão dos custos de nacionalização, montagem e estoque no momento do lançamento comercial.
Estratégia de mercado e geração de empregos
De acordo com Mercídio Givisiez, CEO da E-Motors, essa fase piloto foi desenhada para calibrar os fluxos produtivos e medir a receptividade do consumidor nacional antes de aportes mais vultosos. As vendas ocorrerão por meio de redes de concessionárias parceiras no Brasil, com planos futuros de exportação para países sul-americanos como Uruguai, Chile, Bolívia e Equador.
No quadro de pessoal, a fábrica começará com cerca de 20 postos de trabalho diretos preenchidos por profissionais da região. Uma comitiva de 17 especialistas, engenheiros e executivos chineses virá ao estado para instalar maquinários, estruturar os processos técnicos e treinar a equipe capixaba, garantindo a absorção local de tecnologia ao longo do tempo.
A diretora-presidente da NOVA ES, Patrícia Gouvêa, ressaltou que a atração da montadora consolida o Espírito Santo como destino competitivo para projetos de alta tecnologia e transição energética, transformando o potencial logístico capixaba em desenvolvimento regional concreto.
Planos de expansão futura
Após o primeiro ano de atividades, a E-Motors projeta a transição para um complexo fabril de 40 mil m². Essa segunda etapa demandará um aporte em torno de US$ 50 milhões, elevando a capacidade de entrega para até 100 mil veículos por ano. A planta também estará habilitada a operar no formato white label, montando automóveis para montadoras terceiras.
Paralelamente aos carros de passeio, a E-Motors assumirá a representação oficial de uma fabricante chinesa de ônibus elétricos, realizando o processo de homologação, nacionalização e distribuição desses coletivos no mercado brasileiro.
