O início da primavera traz transformações significativas para a rotina agrícola. Com a virada do mês de setembro, o calor começa a se intensificar e as precipitações passam a ocorrer com mais frequência em diversas zonas do país. Esse cenário altera diretamente a quantidade de água que as plantas necessitam, exigindo do agricultor um acompanhamento atento sobre o fornecimento de água no cultivo.
A volta das precipitações não é motivo para desativar o sistema de irrigação de forma precipitada. O volume e o intervalo entre os episódios de chuva variam consideravelmente dependendo do local. Desta forma, monitorar o dia a dia da fazenda é indispensável para determinar se o uso do sistema ainda se faz preciso.
De acordo com o engenheiro agrônomo e diretor executivo da Hydra Irrigações, Elídio Torezani, a troca de estação é o período ideal para reavaliar a estratégia de irrigação e verificar o comportamento da plantação diante do novo clima.
“A primavera altera a dinâmica do tempo e, por consequência, o consumo de água das espécies. O produtor deve estar atento a essa fase de transição para adequar o fornecimento de água ao que a cultura pede no momento, fugindo de esquemas fixos durante o ano”, aponta.
Precipitação isolada não resolve
Um erro comum nesta época é confiar exclusivamente nas precipitações. O volume vindo do céu pode atender às exigências de uma determinada plantação, mas ser insuficiente para outra, variando conforme a intensidade do temporal, o tempo de duração, a estrutura do solo e a fase do cultivo.
Ademais, nem toda a água que cai fica ao alcance do sistema radicular. A capacidade de infiltração e o armazenamento hídrico mudam bastante conforme a geografia e a composição da terra.
Diante disso, recomenda-se inspecionar a terra e as plantas antes de interromper ou acionar o equipamento. “A simples presença da chuva não significa desligar tudo. É preciso analisar o quanto choveu, como esse volume se distribui na terra e qual a real necessidade do cultivo naquele instante. A tomada de decisão deve se apoiar nesses dados”, enfatiza Torezani.
Consumo de água pelas culturas
O volume de água exigido por uma plantação oscila conforme a espécie, a etapa de crescimento, o clima e a retenção do terreno. Com o aumento da luminosidade e das temperaturas na primavera, muitas espécies aceleram seu ritmo de desenvolvimento, o que exige ajustes na dose de água para manter o padrão de crescimento saudável.
Dessa forma, os volumes aplicados durante os meses mais amenos ou secos não costumam suprir as necessidades do período que se inicia. Torezani orienta que a observação sobre a área cultivada seja constante.
“O comportamento varia de espécie para espécie, e o estágio vegetal influencia de forma direta. É fundamental examinar o campo e a umidade do solo para checar se a dosagem aplicada condiz com a fase atual da planta”, orienta.
Manutenção em dia
A chegada da nova estação serve também como um momento estratégico para inspecionar a infraestrutura de irrigação. Antes que as lavouras passem a exigir carga máxima de água, vale a pena examinar filtros, canos, gotejadores ou aspersores, motobombas e demais conexões.
Essa revisão preventiva impede prejuízos decorrentes de vazamentos, entupimentos ou falhas na vazão de água antes que afetem o rendimento produtivo.
“É a oportunidade perfeita para um diagnóstico completo. Identificar falhas na rega o quanto antes evita perdas futuras. A meta é entrar no novo ciclo produtivo com todos os componentes operando perfeitamente”, destaca o profissional.
Particularidades regionais
Embora a transição de estação afete o clima globalmente, as condições práticas variam de um ponto a outro. Dentro de um mesmo estado, encontram-se oscilações de temperatura, volume pluviométrico, tipos de terra, relevo e variedades agrícolas. Sendo assim, não existe uma fórmula padronizada de irrigação para ser usada sem critérios gerais.
Conforme ressalta Torezani, a tecnologia serve para apoiar o agricultor na tomada de decisões assertivas. “O manejo da água deve ser flexível. O produtor precisa ter autonomia e recursos para calibrar a irrigação conforme o cenário real do campo. Quanto maior o nível de acompanhamento, mais eficiente é a distribuição hídrica”, esclarece.
“Essa virada no calendário é um convite para recalibrar processos. Uma irrigação inteligente é aquela que acompanha as exigências da cultura e a realidade do terreno em tempo real”, finaliza Torezani.
