Por João Simas
O relógio marcava pouco mais de oito horas da manhã quando profissionais terceirizados decidiram cruzar os braços em frente à Prefeitura de Anchieta. Homens e mulheres que garantem o funcionamento cotidiano da cidade interromperam as atividades. O motivo não é uma escolha, é uma necessidade: os salários e tíquetes-alimentação da empresa terceirizada Flex Serviços estão atrasados. O nó aperta ainda mais nos extremos do contrato: quem voltou de férias não recebeu o que tem direito, e quem foi mandado embora acabou posto na rua sem ver a cor das verbas rescisórias.
A paralisação, organizada pelo Sindilimpe-ES, expõe o drama invisível de quem vive na corda bamba financeira.
“Não tem como trabalhar sem a comida na mesa. O aluguel está vencido. Tem mães e pais aqui que deixam os filhos com alguém para cumprir a obrigação no posto de trabalho, e a pessoa que cuida também precisa receber. Só queremos nossos direitos”, desabafou o representante sindical Félix.
A cobrança sobre o poder público
A linha de frente do protesto ganhou força com a presença de Evanir, presidente do Sindilimpe-ES. Com o microfone em mãos diante da sede do Executivo, a líder sindical direcionou a responsabilidade diretamente para a administração municipal, rejeitando qualquer jogo de empurra burocrático.
“A Prefeitura é a tomadora do serviço. Se a empresa contratada não cumpre a lei, o município tem a obrigação moral e legal de intervir, reter os repasses contratuais e pagar diretamente quem trabalhou. O que está em jogo é a dignidade de pais e mães de família”, cobrou Evanir.
Portas fechadas e o silêncio das autoridades
No tabuleiro da terceirização, o trabalhador é sempre o elo mais frágil. Enquanto o bolso de quem sustenta os serviços essenciais esvazia, quem deveria dar explicações prefere o silêncio.
A cobrança também foi formalizada junto à Secretaria de Comunicação de Anchieta para saber se os repasses do município para a empresa estão em dia e o que será feito para socorrer os funcionários. Até o fechamento desta edição, a Prefeitura de Anchieta não enviou nenhum posicionamento.
O espaço segue aberto. A população de Anchieta, e principalmente os trabalhadores que deixaram o seu suor para garantir o funcionamento da cidade, exigem saber quem vai pagar essa conta.
