quinta-feira, 16 de abril de 2026 / 15:08
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“Órfãos de pais vivos” acende debate sobre negligência emocional

O psicólogo forense Rafael Monteiro lança o livro “Órfãos de Pais Vivos”, uma obra que desloca o foco da ausência física para um problema mais sutil e, muitas vezes, invisível: a negligência emocional.

O contexto utiliza cenários como o uso excessivo de tecnologia e dinâmicas familiares contemporâneas, nas quais nem sempre os pais percebem o que acontece dentro de casa. Segundo o autor, o maior risco não está apenas fora de casa, mas dentro de relações que aparentam normalidade, entretanto carecem de escuta e percepção.

Ele constrói sua narrativa a partir de casos reais e de uma constatação recorrente: crianças raramente verbalizam o sofrimento de forma direta. Elas se expressam por meio de comportamentos, mudanças de humor e silêncios, sinais que frequentemente passam despercebidos por adultos. “A criança não fala o que está sentindo ou passando, ela demonstra. Por isso, o maior erro dos pais hoje não é a falta de amor, mas a falta de percepção”, avalia Monteiro. 

Uma discussão urgente sobre a infância contemporâneas

Ao longo do livro, Monteiro apresenta conceitos que dialogam diretamente com os desafios atuais da parentalidade:

• Negligência emocional invisível: quando a criança está fisicamente assistida, mas emocionalmente desamparada 

• Comunicação não verbal infantil: comportamentos como linguagem emocional 

• Falsa sensação de segurança familiar: a crença de que o risco está sempre fora de casa 

• Normalização do distanciamento: o impacto das telas e da rotina na conexão entre pais e filhos 

A obra também levanta questionamentos que convidam à reflexão, especialmente em um cenário onde o tempo de convivência é frequentemente substituído por interações mediadas por tecnologia:

• Até que ponto os pais realmente conhecem o mundo emocional dos filhos? 

• O silêncio de uma criança é tranquilidade ou um sinal não interpretado? 

• Estamos criando crianças seguras ou apenas crianças silenciosas? 

• Qual é o custo emocional de uma presença distraída? 

“O silêncio da criança pode ser o maior alerta dentro de uma casa, afinal nem toda presença é conexão”, destaca Monteiro. 

Do alerta à ação

Mais do que uma análise, “Órfãos de Pais Vivos” propõe caminhos práticos para fortalecer a relação entre adultos e crianças:

• Atenção a mudanças comportamentais sutis 

• Redução de distrações no convívio familiar 

• Construção de ambientes emocionalmente seguros 

• Desenvolvimento de escuta ativa e sensibilidade 

“A proteção começa quando o adulto aprende a perceber. Antes disso, tudo pode passar despercebido, pontua Rafael. 

Sobre o autor

Rafael Monteiro é psicólogo forense, especialista em famílias, infância e juventude, com mais de 12 anos de experiência no sistema de Justiça. Ao longo de sua trajetória, atuou diretamente em casos complexos envolvendo dinâmica familiar, violência e desenvolvimento infantil, o que fundamenta sua abordagem prática e profunda sobre o tema.

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