quinta-feira, 2 de abril de 2026 / 12:41
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Jiu-jitsu é aliado no desenvolvimento de pessoas com autismo no Espírito Santo

No Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado em 2 de abril, histórias que reforçam a importância da inclusão e de abordagens terapêuticas eficazes ganham destaque. Em Vila Velha, o jiu-jitsu tem se mostrado uma ferramenta poderosa no desenvolvimento de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). À frente dessa iniciativa está o professor Fanjo Brasil, faixa-preta de jiu-jitsu e judô, que há nove anos atua com alunos com TEA e, atualmente, acompanha 23 praticantes em turmas específicas.

O jiu-jitsu tem apresentado resultados positivos justamente por meio do contato físico controlado, contrariando a ideia inicial de que esportes de contato não seriam indicados para esse público. Segundo o professor, técnicas como imobilizações e pegadas promovem estímulos sensoriais que ajudam na organização e no relaxamento do sistema nervoso, efeito semelhante ao proporcionado por recursos terapêuticos como cobertores ponderados.

Além dos benefícios sensoriais, a estrutura das aulas é um dos grandes diferenciais. Com uma rotina previsível — que inclui saudação, aquecimento, ensino técnico e prática —, os alunos encontram um ambiente seguro e estável, reduzindo a ansiedade e favorecendo a adaptação. Essa previsibilidade é especialmente importante para pessoas com TEA, que tendem a responder melhor a contextos organizados e consistentes.

O tatame também se transforma em um espaço de desenvolvimento cognitivo e social. Para alunos com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) ou dificuldades de concentração, o jiu-jitsu funciona como um “xadrez em movimento”, exigindo raciocínio rápido e foco constante. Já no aspecto social, a prática estimula o contato visual, a leitura de linguagem corporal e o senso de pertencimento, contribuindo para a redução do isolamento.

Os resultados são percebidos de forma clara pelas famílias. De acordo com o professor, que passou a organizar turmas exclusivas para esse público há cerca de dois anos, os relatos indicam avanços significativos desde as primeiras aulas. Ainda que cada aluno tenha seu próprio tempo de adaptação, os benefícios costumam surgir já nas fases iniciais do processo.
A proposta inclusiva considera as diferentes necessidades dentro do espectro autista. Mesmo indivíduos que demandam maior nível de suporte conseguem evoluir gradualmente, desde que acompanhados por uma metodologia adequada e adaptada. “O jiu-jitsu é para todos”, reforça o professor, destacando que a prática exige sensibilidade, paciência e constante ajuste das estratégias de ensino.

Com formação em Educação Física pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), pós-graduação em Fisiologia do Exercício e Atendimento a Grupos Especiais, além de especialização em Análise do Comportamento Aplicada (ABA), Fanjo Brasil reúne conhecimento técnico e experiência prática para conduzir o trabalho. Ele também possui capacitação em TEA por instituição especializada na formação de profissionais da saúde.

Instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2007, o Dia Mundial de Conscientização do Autismo tem como objetivo ampliar o debate sobre inclusão, acessibilidade e qualidade de vida. Iniciativas como a desenvolvida em Vila Velha mostram que a construção de uma sociedade mais inclusiva passa também por espaços como o esporte, nos quais o desenvolvimento e pertencimento caminham lado a lado.

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