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O impacto da crise econômica no ES

foto: Jornal do Empreendedor
foto: Jornal do Empreendedor

Entre os anos de 2014 e 2015, a economia capixaba apresentava-se em crescimento com oito trimestres consecutivos de alta dos números do Produto Interno Bruto (PIB). Isso, graças ao bom desempenho da indústria extrativa e de transformação no Estado, em especial a operacionalização das novas usinas de pelotização da Vale e da Samarco, que aumentou a capacidade produtiva do estado, puxando para cima o desenvolvimento econômico capixaba. Esse desempenho positivo foi mantido até o terceiro trimestre de 2015, quando o crescimento chegou a 2,4%. Mas rompimento da barragem de rejeito de minérios em Mariana (MG), que provocou a paralisação das atividades da Samarco no Espírito Santo levou a uma brusca ruptura deste ciclo de crescimento, havendo declínio da indústria extrativa capixaba em 24,1% no período e, consequentemente, uma retração de 11,1% no PIB trimestral, em relação a igual período do ano anterior.

Com cenário econômico nacional em crise somado a uma crise “particular” devido a forte influencia das indústrias extrativas e de transformação, o Estado passou a viver uma retração da atividade econômica com o declínio da produção industrial em 22,2%, do setor de serviços em 9,3% e do comércio varejista em 9,6%.  O PIB capixaba passou apresentar uma séria negativa, tendo acumulado ao longo de 2016 em comparação ao anterior, a retração de -13,8%, segundo IJSN. Como consequência dessa retração, o PIB nominal anualizado de 2016 ficou em R$ 133,8 bilhões, abaixo dos R$ 140,2 bilhões registrados no terceiro trimestre de 2015.

O mau desempenho da indústria afetou também outros setores, formando um círculo vicioso, difícil de ser rompido em curto tempo. Ocasionando a retração tanto de venda quanto de compras do comércio exterior afetando também o setor de logística, que por sua vez puxou para baixo os serviços e o comércio, justamente os setores que mais empregam na economia capixaba. Com esse cenário, ocorreu o aumento do desemprego, perpetuando este ciclo negativo

Para piorar, os comerciantes capixabas foram surpreendidos com uma nova crise: a paralisação da Policia Militar que durante 10 dias causou insegurança e o caos. Além de gerar um prejuízo de cerca de 300 milhões de reais, segundo a Fecomércio-ES. Como alternativa para ajudar os pequenos comerciantes, a federação criou um fundo de  recursos no valor de 1 milhão de reais aos lojistas que necessitarem fazer reparos emergenciais nos estabelecimentos que sofreram depredação durante a paralisação da Polícia Militar, sendo R$500.000,00 (Quinhentos Mil Reais) da Fecomércio-ES e R$500.000,00(Quinhentos Mil Reais) da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).  O valor do empréstimo a cada comerciante (lojista ou varejista de gêneros alimentícios) não será superior a R$25.000,00 (Vinte e Cinco Mil Reais) pelo prazo de 90 (Noventa) dias. Para isso, o tomador do empréstimo terá que apresentar o registro de ocorrência (BO) na delegacia de polícia para todos os efeitos legais, até que possibilite também a necessária ação judicial, para que o empresário seja ressarcido de perdas, danos e lucros cessantes, de suas atividades econômicas.

A CDL Jovem Vitória, por sua vez, criou uma campanha, chamada RECUPERA ES em parcerias com algumas empresas que fornecerão produtos e serviços a preço de custo aos comerciantes vítimas dos arrombamentos e saques ocorridos nos dias de paralisação.

Com o medo e a incerteza ainda presente, o prejuízo dos comerciantes pode ser ainda maior devido a queda do turismo para o carnaval e para o restante do veraneio.

O caminho para a retomada do crescimento tanto no Espírito Santo quanto no Brasil, passa por alguns ajustes que levem a recuperação da credibilidade e da competitividade dos empresários. Para isso, é preciso realizar diversas ações, tais como, a Readequação das relações trabalhistas, referente não só a flexibilização da jornada de trabalho, mas, principalmente, ao custo tributário do empregado, o que proporcionará uma redução dos gastos do empresário, possibilitando o reinvestimento, o aumento da competitividade da empresa e a redução do custo final do produto.

Com um menor custo do produto, tem-se o aumento o consumo, o que por sua vez, leva ao aumento do faturamento e a geração de novos empregos, fazendo a engrenagem da economia girar.

Além disso, é preciso melhorar a infraestrutura (melhorias logísticas), o ambiente de negócios (simplificação tributária, estímulo de crédito subsidiado aos médios e pequenos empresários, renegociação das dívidas das empresas, facilitação de exportações e importações), o desenvolvimento da capacitação profissional, com maior qualificação da mão-de-obra, investimentos em inovação, seja com parceria com universidades escolas técnicas, aproximando o ensino a realidade, e a busca por novos mercados.

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